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Jéssica Ohara Jéssica Ohara Author
Title: CORPOS SECOS: O GRITO DISTÓPICO BRASILEIRO
Author: Jéssica Ohara
Rating 5 of 5 Des:
Primeiro, o uso de novos agrotóxicos sem os devidos testes. Depois, a reação inesperada com as larvas que eles deveriam dizima...









Primeiro, o uso de novos agrotóxicos sem os devidos testes. Depois, a reação inesperada com as larvas que eles deveriam dizimar. Não se sabe quem foi o primeiro infectado, apenas que o surto começou no Mato Grosso do Sul. São os chamados corpos secos: espectros humanos que não possuem mais atividade cerebral. Mas seus corpos ainda funcionam e anseiam por sangue.

Seis meses depois, há poucos sobreviventes. Um jovem aparentemente imune à doença está sendo estudado por uma equipe médica e precisa ser protegido a qualquer custo; uma dona de casa vive em uma fazenda no interior do Brasil e se encontra sozinha precisando reagir para sair de seu isolamento; uma criança vê a mãe tentar de tudo para salvar a família e fugir do contágio; uma engenheira de alimentos percebe que seus conhecimentos técnicos talvez não sejam suficientes para explicar o terror que assola o país. Juntos, eles vão narrar suas jornadas, em busca do último refúgio ao sul do país. Escrito em conjunto por quatro autores, Corpos secos não é só um thriller, nem um romance-catástrofe. É uma narrativa sobre os limites da maldade humana, e as chances de redenção em meio ao caos.



Eu nunca imaginei que um livro escrito a dezesseis mãos poderia dar certo. Como fazer as ideias fluírem em sincronia? Como criar personagens que se cruzam  dentro de um mundo compartilhado? São tantos os problemas que podem decorrer dessa ideia, mas de alguma forma Luisa Geisler, Marcelo Ferroni, Natalia Borges de Polesso e Samir Machado de Machado conseguiram fazer essa grandiosidade funcionar.

A história se passa em um, não muito distante, Brasil pós-apocalíptico, no qual devido ao uso desenfreado de uma substância agrotóxica, surge uma doença que transforma as pessoas em espécies de zumbis. A caracterização dessas criaturas é muito interessante, são pessoas que quando entram em contato com o agente infeccioso vão secando aos poucos e soltando esporos do próprio corpo que se espalham pelo ar  e contaminam outros. É um tipo de morto-vivo bem diferente da imagem comum, criada por George Romero. O zumbi tradicional é um corpo em decomposição quase pastoso, como se eles estivesse derretendo. Já no livro eles se utilizam da ideia de desidratação, então aos poucos o corpo vai se tornando cada vez mais seco até virar um casca que vai implodir, espalhando mais caos.

Os capítulos são contados dos pontos de vista de quatro personagens de backgrounds e estágios de vida diferentes. É aí que entra a genialidade dos autores, as vozes são bem discerníveis, por elas nós vamos entendendo de que nível social as personagens vêm, suas vidas e as transformações que a pandemia causou neles. O desenvolvimento me impressionou bastante, cada pessoa tem seu ponto de virada no qual percebe que o mundo que conhecia antes nunca mais vai existir.

O ritmo do livro é muito bom, você não consegue parar de se importar com aquelas histórias. Eu demorei um pouco a ler porque estava me sentindo muito afetada pelo clima de fim do mundo que estamos vivendo. Mas logo que minha ansiedade inicial passou, me entreguei a leitura e foi ótimo perceber elementos da nossa realidade como Bolsonaro, milicias, conservadorismo dentro da escrita. O que sempre deixam claro nos livros distópicos é como por mais que o tipo de mundo tenha mudado, algumas pessoas e preconceitos continuam os mesmos.

Há muito mistério ao redor dos personagens que não são resolvidos nesse primeiro livro, eu espero com todo o coração que hajam sequências(eu disse no plural mesmo), quero saber porque o Mateus é imune, como vai continuar a jornada do Murilo, o que a Constância vai descobrir sobre Florianópolis, se a Tulipa consegue chegar no destino e como a Regina vai lidar com o peso do que aconteceu. Amei demais Corpos Secos, é uma história para não esquecer e recomendar para Deus e o Mundo.

O acesso a esse livro é fruto da parceria do Diário de Seriador com a Companhia das Letras!

AUTORES: Luisa Geisler, Marcelo Ferroni, Natalia Borges Polesso e Samir Machado de Machado.
PÁGINAS: 192
EDITORA: Alfaguara
LANÇAMENTO: 2020
ONDE COMPRAR: Aqui
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