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Title: NOTAS DE UM FILHO NATIVO: BALDWIN EM SUA ESSÊNCIA
Author: Mylla Santos
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  Na nota introdutória deste volume, James Baldwin, aos 31 anos, se dá conta do momento mais importante de sua formação, quando se viu obrig...

 




Na nota introdutória deste volume, James Baldwin, aos 31 anos, se dá conta do momento mais importante de sua formação, quando se viu obrigado a perceber que a linha do seu passado não levava à Europa, e sim à África. Foi então que ele se deparou com uma revelação chocante: Shakespeare, Bach e Rembrandt não eram criações "realmente minhas, não abrigavam minha história; seria inútil procurar nelas algum reflexo de mim. Eu era um intruso; aquele legado não era meu". Publicada originalmente em 1955, esta reunião de ensaios escritos entre as décadas de 1940 e 1950 é a primeira obra de não ficção do autor de O quarto de Giovanni. O que mais impressiona nesses testemunhos -- narrados com inteligência, sensibilidade e estilo extraordinário -- é sua atualidade. Ao usar como matéria-prima sua própria experiência para refletir sobre o que representa ser um escritor negro e homossexual nos Estados Unidos, seu país de origem, e em Paris, cidade onde viveu por muitos anos, Baldwin oferece um poderoso e urgente depoimento sobre direitos civis. O volume inclui o prefácio à edição de 1984, assinado por Edward P. Jones, posfácios de Teju Cole e Paulo Roberto Pires e um alentado "Sobre o autor", por Marcio Macedo.



Notas de um filho nativo do romancista, dramaturgo e ativista social norte-americano James Baldwin foi lançado originalmente em 1955, reunindo dez ensaios publicados em diferentes jornais e revistas no período de 1948 a 1955 e se tornou um clássico na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, ainda tristemente atual. Notas de um filho traduz o sentimento de ser estranho em seu próprio país. James Baldwin fala sobre arte de modo geral, passa por sua infância e adolescência no Harlem, assim como a experiência enquanto um homem negro americano em Paris. A introdução de Edward P. Jones mostra que o autor esteve perto de pessoas impotantes e que participaram de grandes eventos históricos, como Martin Luther King e Malcolm X, mas desde jovem no Harlem ele viu a realidade violenta contra os negros. Seus ensaios tratam da literatura, da história do seu tempo e das viagens, mas sempre sob a perspectiva do americano e do negro e sua cultura. Os ensaios foram divididos em três partes. Na primeira, estão as resenhas críticas referentes à discussão sobre o papel do artista negro na sociedade. No ensaio "O romance de protesto de todos", ele faz uma análise de "A cabana do pai Tomás"; em "Muitos milhares de mortos", ele faz uma critica ao "Filho nativo" de Richard Wright, já em "Carmen Jones: negro, mas não muito", uma resenha de um filme de Hollywood de 1955 que apresentou uma releitura da ópera Carmen com um elenco negro. Na segunda parte temos os ensaios pessoais, onde ele descreve sua experiência e da sua família com o racismo. Em "O gueto do Harlem", ele apresenta a descrição do cotidiano no bairro e as relações entre negros e judeus, Em "Viagem a Atlanta", encontramos uma reflexão sobre a política de segregação no sul do país. A última parte reuni as reflexões que descrevem a vida de expatriado na Europa, onde Baldwin se autoexilou por nove anos, de 1948 a 1957. Em "Encontro à margem do Sena: negros e pardos", uma análise da vida dos americanos em Paris, avaliação que se torna mais realista no ensaio "Uma questão de identidade": "o parisiense não manifesta o menor interesse pessoal, a menor curiosidade, a respeito da vida ou dos costumes de qualquer estrangeiro", terminando com "Um estranho na aldeia" no qual escreve sobre o tempo que passou em uma pequena cidade na Suíça.




Título: Notas de um filho nativo

Autor: James Baldwin

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 248

Ano: 2020

Onde comprar: Amazon





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